Geni
Você já se sentiu uma Geni? Já cruzou com um mal-agradecido? Já foi obrigado a dizer que não se cospe no prato em que se come? Pois bem, o Estado tem complexo de Geni. É chavão criticar o Estado e jogar nele a "culpa" dos problemas socias. Eu pensei nisso quando lembrava das críticas feitas à comida do RU. Claro que isso é café pequeno perto das coisas envolvidas no trânsito.
Alguém inventou as multas, e outro alguém, talvez ainda mais safado, inventou a expressão "indústria das multas". Tem também aquela, "fúria arrecadatória". Pois bem, a expressão "indústria das multas" pegou tão bem aqui em Porto Alegre, que agora só é multado quem passa por pardal em velocidade acima da permitida. Detalhe: esse pardal deve estar vivo, não pode ter sido assassinado por alguém que, após ter sido flagrado cometendo infração, desferiu um tiro ou jogou uma pedra contra a pobre ave.
Outro dia eu passei por uma rua onde era proibido parar e estacionar em ambos os lados. Mas um dos lados estava tomado por carros estacionados. Aquilo atrapalhava o trânsito mesmo, acho que as placas não estão ali à toa. Então, o que leva tanta gente a estacionar em local proibido? Pouca multa, pouca ação repressora, sem dúvida. Mas, se o Estado não faz o que deve fazer, e falha a autodisciplina dos motoristas, a coisa vira no que é: um bundalelê geral. O trânsito de Porto Alegre faz lembrar o de uma cidadezinha do interior, talvez São José dos Ausentes, sem querer ofender ninguém.
Minha vontade é apelar para o heroísmo: arrancar várias placas de proibido parar e estacionar e vender para a reciclagem. Eu seria presa, apareceria na TV e, enfim, poderia formar opinião. Afinal, a indústria da reciclagem é muito mais bacana que a das multas.