Florilégio do Bar do Beto
A obra literária não tem hora nem lugar pra nascer. É o que prova a coleção de textos que transcrevo a seguir, todos recolhidos recentemente no Bar do Beto, aquele da Venâncio, entregues por cúmplices garçons de tímidos pretendentes ao ofício das letras. Ou a alguma outra coisa que eu não descobri.
O pretendente indeciso
"Você é linda demais e eu não sei mais o que fazer para estar ao seu lado. Beijos"
"Você não respondeu a mensagem anterior. Isso pode ter vários significados, eu escolhi o melhor. Responde qualquer coisa pelo X."
O pretendente poliglota
"The roses are red;
Violets are blue;
Sugar sweet;
And so are you!
Kiss, você é linda
9XXXXX
9XXXXX"
Eu: Obrigada, e você, como é?
"Eu sou a pessoa que pode fazer você descobrir o caminho da felicidade. Beijos, admirador"
O pretendente prevenido
" Por ter o sorizo mais lindo so poço te dizer se tu não me ligar que sentirei saudades. 9XXXXX"
O pretendente prolixo
"Olá! Há 3 coisas na vida q´ nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra dita e a OPORTUNIDADE PERDIDA... não posso perder a chance de tentar saber quem ése o que fazes nesse planeta azul (ou ‘manicômio esférico’)... preciso dizer-te que és doce, meiga, linda e carismaticíssima!... Onde te escondias q´nem tu te encontravas? Por onde andava teu sorriso-de-cristal e teu olhar de menina assustada? Ah... n´algum dia... 9XXXXX"
O pretendente faminto
"Cozinha italiana? Cozinha alemã? Cozinha gaúcha? Não importa. O que importa é que quero jantar com você essa semana. Beijos. 9XXXXX"